Eurides Ceni diz que ídolo do São Paulo poderia ter feito teste no rival Santos. Na infância, goleiro praticava vôlei, esporte no qual também obteve sucesso
No final de novembro uma grande dúvida pairava no ar: Rogério Ceni iria ou não encerrar a carreira? O Globo Esporte arrumou as malas em São Paulo e foi para Mato Grosso, mais precisamente na cidade de Sinop, conhecer Eurides Ceni, o pai do goleiro tricolor.
- Eu percebi que ele levava jeito a partir dos três anos. Uma vez fui visitar um irmão que morava em Campo Grande e os meus sobrinhos ficaram impressionados com ele batia na bola. Ele sempre adorou uma bola: sempre, sempre, sempre, sempre. Tanto é que no aniversário dos três anos ele estava bem azedo, sabe? Só riu quando ganhou de presente uma bola - contou o pai de Ceni.
Rogério cresceu jogando futebol e vôlei. Alguns amigos da época apostavam que ele seguiria carreira no vôlei. Na infância, ele se dividia entre a escola, os treinos e ainda o trabalho em um banco. Mesmo assim, conseguia ir bem nos estudos. Só não terminou o segundo grau porque já estava jogando no Sinop Futebol Clube, como terceiro goleiro do time.
- O Marília machucou, logo em seguida o Valdir Braga também machucou e estávamos na semifinal do estadual. Aí chegou a vez do Rogério. Ele viajou para Rondonópolis. Lá, saiu um pênalti e ele fez a defesa. E aí foi, a partir desse dia aí, que ele começou a pegar firme e ser o que é hoje - relembrou Biro-Biro, ex-companheiro de Sinop.
O Sinop foi campeão estadual naquele distante 1990 - a primeira vez que um time do interior ficava com o título no Mato Grosso. O presidente do clube conhecia um diretor do São Paulo e levou Rogério para fazer um teste no Morumbi. De lá, ele nunca mais saiu. Porém, seu início poderia ter sido no rival Santos.
- Surgiu a oportunidade de ele fazer um teste no Santos. O diretor de esportes na época soube que o Rogério faria um teste fora. Ele disse que era palmeirense, mas achava que o ideal seria fazer no São Paulo, pela estrutura. No dia 7 de setembro, uma sexta-feira, ele foi aprovado. No sábado ele voltou lá. Depois, na segunda esteve no Morumbi e ficou até hoje - lembrou Eurides.
Campeão de tudo. Maior goleiro artilheiro da história do futebol, jogador com o maior número de jogos pelo mesmo time, com o maior número de vitórias e mais partidas como capitão. Feitos que renderam o Memorial Rogério Ceni bem na entrada do estádio Gigante do Norte, onde tudo começou.
- Eu sou como uma criança que aguarda um dia de festa. Aguardo o dia de jogo do São Paulo como se fosse uma festa. O tempo até passa mais rápido. Eu já fico esperando o próximo jogo, o próximo, o próximo... - disse Sr. Eurides, que terá pelo menos mais seis meses de festas em 2015.
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/sao-paulo/noticia/2014/12/o-inicio-do-mito-em-sinop-pai-e-amigos-revelam-historias-sobre-ceni.html
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