sábado, 9 de maio de 2015

Dos treinos aos resultados, quase tudo mudou no SP em um mês de Milton Cruz

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O coordenador técnico Milton Cruz completou um mês como técnico interino do São Paulo na última quarta-feira (6), dia em que venceu o Cruzeiro por 1 a 0 no primeiro jogo pelas oitavas de final da Copa Libertadores, no Morumbi. Em 32 dias e seis jogos, o futebol do São Paulo apresentou mudanças do CT da Barra Funda ao Morumbi, dos treinos aos jogos. O resultado, por enquanto, é positivo.
1. Sistema tático
Muricy Ramalho usou de janeiro a abril em 2015 seu time titular em um 4-2-3-1. Na formação, as diferenças sutis se davam entre os casos em que Ganso ocupava o centro da linha ofensiva de três meias ou se Pato ou outro atacante ficaria em tal espaço, variando para o que poderia ser chamado de 4-4-2, ainda com desenho muito semelhante. Em jogos sem os principais titulares, Muricy ainda experimentou um 3-4-3.
Milton Cruz assumiu no dia 6 de abril e, já no dia 8, enfrentou a Portuguesa pelo Paulistão – jogo que venceria com os reservas por 3 a 0, jogando bem.  "Foi um 4-3-3, não tanto um 4-1-4-1, porque os dois pontas jogaram bem avançados", explicou o interino, em conversa após a entrevista coletiva daquela noite. O time pela primeira vez na temporada e só com dois treinos se apresentou com três volantes, esquema que ainda não tinha sido usado por Muricy e que seria base para as partidas seguintes.
2. Variações táticas
Nos jogos contra Cruzeiro e Corinthians, duas das melhores apresentações do São Paulo nos últimos tempos, Milton Cruz armou o time no 4-4-1-1. A variação nasceu ainda no segundo tempo do jogo contra o Red Bull Brasil, pelas quartas de final do Paulistão, vencida também sob o comando do interino. No jogo, Milton desmontou o 4-3-3 – com Denilson, Souza e Wesley no meio de campo –, passando Wesley para a meia direita, recuando Michel Bastos para a meia esquerda e centralizando Ganso. Nasceu o 4-4-1-1 que daria vitórias importantes ao São Paulo, algo que Muricy também não havia testado. "Gostei muito. Agora, eu posso jogar mais perto do Pato e do Michel Bastos, e fico mais perto do gol", disse Ganso, sobre a nova posição – contra o Red Bull, o meia fez um gol e deu uma assistência após a mudança de função.
Contra o Cruzeiro, na última quarta-feira, Milton Cruz escalou Wesley como meia esquerda e Centurión como meia direita –  o inverso do que se esperava. O interino explicou que a alteração se deu porque tentava travar as investidas do lateral direito adversário Mayke: "Coloquei o Wesley mais preso pela esquerda para segurar o Mayke, e o Centurión solto na direita para compensar. Se jogasse o Michel hoje, também jogaria pela direita".
3. Treinos táticos
A rotina de Muricy Ramalho como técnico do São Paulo se repetiu de forma invariável entre setembro de 2013 e abril de 2015: na véspera dos jogos, treino tático no campo do CT, fechado à imprensa, raramente revelando a escalação. Com Milton, cada caso é diferente.
O São Paulo venceu Portuguesa, Red Bull Brasil e Danúbio, e havia perdido para o Santos quando iniciou os trabalhos para o decisivo confronto contra o Corinthians, que definiria classificação às oitavas da Libertadores. Na terça-feira, véspera da partida, Milton Cruz surpreendeu e não fez treino tático no gramado. Comandou um treino técnico, também diferente (leia mais abaixo). A atividade tática foi dada pelo interino apenas na palestra aos atletas, com análises de vídeos e recortes de jogos do adversário, horas antes da partida.
4. Treinos de situações de jogo
Além de treinos táticos, técnicos e físicos, agora o São Paulo também dá atenção especial a treinos específicos de situações de jogo, que serão encontradas pelos jogadores nas próximas partidas, dependendo do adversário. É novidade no CT da Barra Funda. Um dia antes de não dar treino tático no gramado, na véspera do jogo contra o Corinthians, Milton Cruz e o preparador físico José Mario Campeiz – figura que tem dividido programação e comando de treinos com o interino – elaboraram uma atividade de cruzamento e construção de jogadas em que o lateral e o meio-campista de um mesmo lado se encontravam no mesmo espaço na linha de fundo: Reinaldo e Michel Bastos pela esquerda, Bruno e Hudson pela direita, como aconteceria no jogo.
"Todos os treinos que são feitos têm o mesmo objetivo. Situações de jogo reproduzidas no treino. As deficiências do adversário, a gente observa, temos nossa análise e procuramos fazer o treino em cima disso. Sabíamos que tínhamos que forçar as jogadas pelas laterais", explicou Zé Mario. No jogo, o primeiro gol do São Paulo, de Luis Fabiano, nasceria em situação idêntica à treinada por Reinaldo e Michel Bastos.
O elenco, segundo relatos de dentro do departamento de futebol do São Paulo, tem gostado. "Ele [Milton] não pergunta 'qual treino vocês querem que a gente dê?'. Pelo contrário. Ele dá o treino e pergunta se está legal. A gente tem respondido muito bem, porque o treino tem sido bem intenso. É o que a gente vai encontrar nos jogos. Temos encontrado o mesmo ritmo, ou parecido com o que a gente encontra nos jogos", disse o volante Souza.
5. Físico ou técnico? Cada vez mais bola
Há um mês tem sido mais comum no CT da Barra Funda ver o elenco trabalhar em atividades que somam características físicas e técnicas. Raramente os treinos físicos agora acontecem sem bola. Há duas semanas, por exemplo, os atletas trabalharam em circuito físico por duas horas seguidas. O elenco foi dividido em oito grupos de três e trabalhou de forma alternada em um circuito de oito exercícios que somavam atividades físicas e trabalho com bola. A ideia é trabalhar resistência e explosão muscular sem perder o contato com a bola.
Os treinos técnicos também estão diferentes. Na véspera do jogo contra o Corinthians, por exemplo, o elenco foi divido em grupos de quatro jogadores e trabalhou em minijogos de quarteto contra quarteto, com pequenos gols. A atividade foi menos intensa, segundo a comissão técnica, porque tinha como objetivo relaxar os atletas antes de um confronto difícil e principalmente porque vinham de uma derrota contra o Santos. 

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